A oportunidade é como a chuva
Que nem sempre é aproveitada
Embora caia pela terra, pura,
Na cidade vira poça
No campo vira verde,
Vida,
E a moça da cidade
Chora de saudade
Da oportunidade que não podia ser perdida,
Mas perdeu.
Se lamenta ter perdido a chance,
(A pobre moça da cidade)
De viver a vida vivida
Rodrigo Aylmer
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
Um lembrete
Antes de tudo, deixe-me dizer que faz falta, muita. Cabe a ti dizer o quanto queres que seja, mas aqui, no fundo, é o mesmo sentimento de saudade. Estar aqui, bem perto ao mundo, e nao estar em casa, com o meu mundo, é estar incompleto, pedindo para que o sonho ponha-nos juntos, pelo menos quando fecho os olhos. Cabe a mim sentir a sua falta, assim como coube-me a sede de escrever-lhe algo, mesmo que seja um simples lembrete, como esse. Mas a ti, princesa, a ti cabe apenas esperar, que o tempo passa assim como passou o tempo antes de nós dois. Pense também se faço falta, pois é ela quem faz arder o fogo de um reencontro, e a paixão de um beijo. Sabes assim que o que sinto é verdadeiro, e que cada dia que passa me faz gostar mais de você. Isso sim lhe cabe. Deixo assim como está, só que mais belo, embora distante.
Rodrigo Aylmer
sexta-feira, 29 de junho de 2012
A Última Esperança
A Esperança é a última
que morre
Nessa vida dura,
que morre
Debaixo dessa terra dura,
que morre
Presa da vida,
que morre
Presa da Esperança,
que morre
Da terra sem esperança,
que morre
Castigada pela terra,
que morre
Mastigada pela terra,
que morre
Vida seca de vida,
que morre
Um choro seco de vida,
que mata
Da gota seca de água,
que falta
Da planta seca de planta,
que morre
Da vida fria sem manta,
que morre
A Esperança é a última.
Rodrigo Aylmer
que morre
Nessa vida dura,
que morre
Debaixo dessa terra dura,
que morre
Presa da vida,
que morre
Presa da Esperança,
que morre
Da terra sem esperança,
que morre
Castigada pela terra,
que morre
Mastigada pela terra,
que morre
Vida seca de vida,
que morre
Um choro seco de vida,
que mata
Da gota seca de água,
que falta
Da planta seca de planta,
que morre
Da vida fria sem manta,
que morre
A Esperança é a última.
Rodrigo Aylmer
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Maior Felicidade
Manhã que não se muda
A luz que tu expressas
Ri, da minha cegueira,
Ingrata brincadeira!
A mim, nem que me peças
Não te darei a minha mão,
Agua passageira.
Ficarás com o meu coração,
E saiba que são verdadeiras
Lágrimas dos olhos que não viam,
Ingrata brincadeira,
que enXergaram depois que te viram.
Rodrigo Aylmer
A luz que tu expressas
Ri, da minha cegueira,
Ingrata brincadeira!
A mim, nem que me peças
Não te darei a minha mão,
Agua passageira.
Ficarás com o meu coração,
E saiba que são verdadeiras
Lágrimas dos olhos que não viam,
Ingrata brincadeira,
que enXergaram depois que te viram.
Rodrigo Aylmer
quarta-feira, 25 de abril de 2012
No Fim das Contas
No fim das contas,
Restam as pontas.
Apenas lembranças, doces que são
Palavras ditas,
Palavras escondidas, tímidas
Sorrisos velhos,
Telhados velhos,
As mesmas pessoas sonsas.
Os mesmos sonhos sonhados,
Os mesmos contos contados,
As mesmas piadas tontas.
No fim das contas,
Restam as pontas.
Rodrigo Aylmer
Restam as pontas.
Apenas lembranças, doces que são
Palavras ditas,
Palavras escondidas, tímidas
Sorrisos velhos,
Telhados velhos,
As mesmas pessoas sonsas.
Os mesmos sonhos sonhados,
Os mesmos contos contados,
As mesmas piadas tontas.
No fim das contas,
Restam as pontas.
Rodrigo Aylmer
sábado, 24 de março de 2012
Domingo à tarde
- Seu Osório não era do exército. Ele foi um marinheiro, elegante, nos conhecemos na década de trinta, disse a senhora
- Mas ele também não quis saber da senhora né, Dona Rose?
- Sim, mas a mãe dele já era idosa e o pai falecido. Era filho único. Não tinha tempo para ficar de namoricos.
- Entendo... Faltava dificuldade naquela época né não?-Disse a ingênua ajudante
Se fez um silêncio mórbido. A senhora fechou os olhos por um instante. Da minha janela não podia dizer o que se passava na mente daquela senhora. Era apenas uma senhora como todas as outras, de cabelos tão alvos que se escondiam no rosto pálido da moça que há muito fora jovem.
- Vou pegar seu remédio- disse a ajudante. O relógio do meu quarto marcava seis. O por-do-sol apenas deixava um resquício de luz no horizonte enquanto no céu começavam a aparecer as primeiras estrelas.
A senhora tomou seu remédio.
- Esse é de quê? Perguntou Dona Rose.
- Do coração, disse a ajudante. Havia aproveitado a oportunidade de pegar o remédio para acender as luzes da casa, enquanto ambas permaneciam na varanda, em escuridão. O único motivo pelo qual eu ainda podia vê-las era o poste da rua. A lâmpada incandescente deixava sobre elas uma cor amarelada e escura, como antes havia dito.
E não podia dizer, mas parecia que a senhora ainda estava de olhos fechados. A ajudante mais uma vez a deixara só. Ela estava parada, em sua cadeira de balanço que incrivelmente não rangia. Foi quando abriu seus olhos e virou seu rosto para a direção do poste. Pude claramente vê-lo. Era o rosto de uma jovem, escondido debaixo de anos e rugas, de conquistas e derrotas, de amores e amores. Era o rosto de uma mulher feliz.
Ela sabia quem ela era. Sabia que tomava remédios, e não poucos, diariamente. Sabia que estava numa idade que nem todos têm a oportunidade de chegar. Sabia que, para ela, a manhã seguinte poderia não vir. Mas era feliz por saber que estava ali, em sua varanda, como de costume nos domingos à tarde. Para ela, não tinha alegria maior.
- Mas ele também não quis saber da senhora né, Dona Rose?
- Sim, mas a mãe dele já era idosa e o pai falecido. Era filho único. Não tinha tempo para ficar de namoricos.
- Entendo... Faltava dificuldade naquela época né não?-Disse a ingênua ajudante
Se fez um silêncio mórbido. A senhora fechou os olhos por um instante. Da minha janela não podia dizer o que se passava na mente daquela senhora. Era apenas uma senhora como todas as outras, de cabelos tão alvos que se escondiam no rosto pálido da moça que há muito fora jovem.
- Vou pegar seu remédio- disse a ajudante. O relógio do meu quarto marcava seis. O por-do-sol apenas deixava um resquício de luz no horizonte enquanto no céu começavam a aparecer as primeiras estrelas.
A senhora tomou seu remédio.
- Esse é de quê? Perguntou Dona Rose.
- Do coração, disse a ajudante. Havia aproveitado a oportunidade de pegar o remédio para acender as luzes da casa, enquanto ambas permaneciam na varanda, em escuridão. O único motivo pelo qual eu ainda podia vê-las era o poste da rua. A lâmpada incandescente deixava sobre elas uma cor amarelada e escura, como antes havia dito.
E não podia dizer, mas parecia que a senhora ainda estava de olhos fechados. A ajudante mais uma vez a deixara só. Ela estava parada, em sua cadeira de balanço que incrivelmente não rangia. Foi quando abriu seus olhos e virou seu rosto para a direção do poste. Pude claramente vê-lo. Era o rosto de uma jovem, escondido debaixo de anos e rugas, de conquistas e derrotas, de amores e amores. Era o rosto de uma mulher feliz.
Ela sabia quem ela era. Sabia que tomava remédios, e não poucos, diariamente. Sabia que estava numa idade que nem todos têm a oportunidade de chegar. Sabia que, para ela, a manhã seguinte poderia não vir. Mas era feliz por saber que estava ali, em sua varanda, como de costume nos domingos à tarde. Para ela, não tinha alegria maior.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Mera Existência
Se bastasse a vida,
Não existiria a ALEGRIA
Se bastasse a alegria,
Não existiria o SORRISO
Se bastasse o sorriso,
Não existiria o ABRAÇO
Se bastasse abraço,
Não existiria o BEIJO
Se bastasse o beijo,
Não existiria o AMOR
Se bastasse o amor,
Não existiria o SACRIFÍCIO
Rodrigo Aylmer
Não existiria a ALEGRIA
Se bastasse a alegria,
Não existiria o SORRISO
Se bastasse o sorriso,
Não existiria o ABRAÇO
Se bastasse abraço,
Não existiria o BEIJO
Se bastasse o beijo,
Não existiria o AMOR
Se bastasse o amor,
Não existiria o SACRIFÍCIO
Rodrigo Aylmer
Assinar:
Postagens (Atom)