quinta-feira, 26 de maio de 2011

Para ti

Me tirou do aconchego
A rosa dele parecia ser mais vermelha
Mas não tinha raiz
E toda rosa um dia murcha

Subi na telha
Quem fui eu para pensar
Que no engarrafamento
Iria atravessar
E encontrar o meu contento?
O sorriso que eu te dou espelha
E agora que ele te roubou,
O tens na veia

O galo cantou três vezes
Bela e ingênua,
Não podes ver o que está perto?
E tu ainda achas que de alma nua
É real esse afeto
Um dia verás, bela,
Um dia verás

Sei que seu sol não nasce pra mim
A falta que me faz do que não houve entre nós dois
Não é tão grande assim
Mas é
Um dia aprenderá, pois
Que Sem Voz,
Não tem fé
No amor

E agora,
Com o coração no peito
E o sentimento no papel,
Descanso em paz


Rodrigo Aylmer

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sorte

Chora, que esse sorriso não me ganha
A tempestade foi embora
E com ela a culpa vã

Cora, o coração está pintado
De percursão eu vou ao lado
Dizendo amor até amanhã

Vem, se tem que ser assim,
Então deixa ser
Se o dia é ruim,
Aprenda que viver
É rir para crer

Noite, a escuridão não me escura
O pique-esconde me procura
É hora de ir trabalhar

Foste, um dia antes é passado
De um dia eu fui mastigado
Foste minha e sempre será

Vem, se tem que ser assim,
Então deixa eu ver
Se a fase é ruim, Aprenda que viver
É sorrir para crer

Rodrigo Aylmer

Aurora

Olha o que o tempo fez com nós dois
Depois de exprimir a saudade que gira,
Que gira

Olha esse sorriso, eu deixei pra depois
Caminhando e voando no ar que a gente respira,
Que a gente respira

Chega de chorar pelo que eu não fiz
Se eu sei, acontece que o tempo demora
Se falta um abraço, o tempo é quem diz
Se o resumo de tudo se foca na aurora,
Se foca na aurora

O nosso teto caiu sobre nós
E na incerteza perdi-me no meu caminho,
No meu caminho

Estamos mais perto de ficar a sós
Mas acabo caindo e ficando sozinho,
Ficando sozinho

Ah se eu fizesse um futuro pra nós
Sempre ao seu lado eu estaria
Tente escutar o som da minha voz
Se eu não fosse assim, então quem eu seria?
Quem eu seria?



Rodrigo Aylmer

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Capa de chuva

Ah, tanto faz
Quem faz a diferença aqui
Faz em qualquer lugar

Conte os meus dias
O tempo que eu já vivi
Não poderei viver mais

Sei que hoje vai chover, então
Leve uma capa de chuva
Deixe a dor ir embora
Mergulhe no céu que não muda

No silêncio, a voz do futuro
Dizendo pra seguir em frente
Respirando o ar da gente

No intento, um plano inseguro
Que mostra o que a alma sente
E revela o futuro presente

E o céu vai chorar a saudade do que procura
E nós vamos viver a lógica da loucura

Mas não se esqueça de mim
Saba que só ganha quem chega no fim


Rodrigo Aylmer,
Em homenagem à (só ela sabe)

Rotina

Quando abro a janela do quarto e vejo ele sair
Percebendo a luz por trás dos montes
Perde a timidez, vem me iluminar, o sol

E ensaio um assunto, um anseio de tarde
Deixa eu te contar sobre as minhas vaidades
Vai fugir de mim, se esconder no mar, o sol

Ainda bem que eu tenho você
Pra poder me trazer alegria
O prazer que me dá de te ver todo dia
Vem me iluminar, candeia



Rodrigo Aylmer  e Daniel Caldeira

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aval

Sou só um esboço
Daqueles que viraram rasura
Depois plano
Que o mundo está à procura
E o tempo carrega com  esforço

Quem não é humano?
Não é pergunta sem resposta
E se há beleza que o sol não mostra
Me diz onde se encontra
Que eu trago de volta

Se não estás na montanha
Nem nos mares, nem no fim
Essa lembrança que me acanha
Faz- me ir além
Até darem aval de mim

E quando o tempo ir embora
Não se vá com ele, morena
Ainda há mais para nós dois
Enquanto o céu, de cor amena
Compõem seus dias de glória
A razão que nos une
Vai moldando nosso depois


Rodrigo Aylmer