domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Eterna Dádiva

      Foi tudo muito rapido, muito discreto. Tao discreto que ninguém percebeu, exeto todo o mundo. Todo mundo que ainda sabia o que era olhar para alguém e nao pensar nesse alguém como um objeto de prazer. Todo mundo que ainda sabia o verdadeiro sentido da palavra "adimirar". Todo mundo que naquele pedaço de mundo, era apenas eu.
      Eu sabia que nunca mais veria tal cena. Sabia porque era um lugar inóspito por minha parte. Sabia porque nada acontece de uma maneira tao unica como aconteceu. Mas a certeza de que era inesquecível me consumiu de uma maneira tao singela, que me deu a falsa esperança de ser eterno. Por menos eterno que fosse, foi infinito enquanto durou.
      Era, por mais simples e discreta que fosse, um anjo. Nao no sentido figurado da palavra, mas era literalmente um anjo. Nao se via asas, nem auréolas, nem muito menos uma tunica branca. Apenas se vestia com um vestido amarelo, com varios detalhes que pareciam ser o sol. Ela era tão humana e tão divina, que me faltaram palavras para descrever. Bastou um simples olhar para eu perceber que ela era pura e única. E era estranho, pois ela passeava na rua, mas ninguém a via. Parecia que só eu pudia vê-la.
      O seu vestido era chamativo. Os sois unicamente estampados nele pareciam se virar conforme o sol se virava. Dava a impressão que eles queriam saltar dali e se unir ao grande astro. Foi quando apareceu uma outra pessoa, uma mulher que carregava um semblante tao pesado quanto a própria morte.
      Ela usava um vestido preto, esquisito, e estava claramente se mexendo pelo seu corpo. Ela se aproximou da bela moça e começou a discutir com ela. E elas gritavam tao alto, que era como estivessem apunhalando meus ouvidos. Elas começaram a se empurrar, se bater até que a moça de preto caiu, e com muita dor disse algo de maneira que desapareceu.
      A bela moça que ainda estava de pé olhou pra mim e sorriu. Ela apenas sorriu. Sorriu um sorriso de esperança. Sorriu o sorriso mais fascinante que eu ja vi. E depois ela desapareceu.Foi a ultima vez que a vi.
      Foram necessarios anos para eu perceber que o que  aconteceu naquele dia único foi o que é certo em conflito com o errado. Eu sabia que eles estão sempre em conflito, mas nunca tinha visto de uma modo tão claro. E eu percebi que ganha aquele quem você der mais atenção. Aquele quem você alimentar mais.Nunca mais vi nada como o que eu vi naquele dia.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Solstícios da Alma

Cinza chuva de inverno
A tristeza toma conta da cidade
O que era alegria vira saudade
E o que era de fora se torna interno

Durante dias longos e melancólicos
Vive-se no aconchego da solidão
E a certeza de que ainda vai demorar
Toma conta da isolada multidão

Branca chuva de verão
Com forte mormaço na praia e na cidade
Grandes nuvens surgirão
E tomarão conta do azul com voracidade

E então,
Por poucos minutos todos se recolhem
E deixam a chuva cair,
Limpando tudo em seu caminho
E no pensamento a esperança que já já vai passar...



Do meu amado irmão,
Daniel Aylmer

Guarde a chuva

Chove, chuva que chora
Que implora,
Para que não evapore no chão

Chove, chuva que choca,
Que cheira, que chega,
Que aconchega
Que à chamado
Trazendo a vida, a calma

Chove, chuva que chia,
Que cochicha,
Que cochila
Cochila tanto que cai das nuvens
Até o chão
E evapora,
Até ir para o céu,
Seu lar,
Seu colchão

Chove, chuva que rega,
Que não nega!
É chuva,
É vida,
Quem quiser tê-la
Reza




Rodrigo Aylmer

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vida de pirata

A chuva batendo
A onda levando
Os raios caindo
Não podemos parar de remar
Içem as velas!
Puxem a âncora!
Terra à vista!
Como é bom a vida no mar...

Máscaras

O sono bate
E o cansasso vem junto
Com eles vem o peso
De achar ser mais um no mundo

Não digo pensar ser ninguém
Só digo que como todos, que vivemos,
Deviamos pensar em ser alguém
Não que querem que sejamos
Mas que sejamos quem queremos

Que caiam as máscaras
Daqueles que se cansaram da falsidade
E que abram os sorrisos
Daqueles que encontraram a verdadeira verdade

Que se abram os olhos
Daqueles que nao podem ver
E também daqueles que não querem
Que eles percebam
Que a vida é muito mais que sobreviver

Sei que as vezes não faço o que fui feito pra fazer
E que não sei quando é munha hora de partir
Mas com toda a certeza do mundo, eu afirmo
Que enquanto eu viver
Vou deixar minha máscara cair
E ser quem eu deveria ser

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As vezes em que vivo

As vezes parece que 20 minutos sao uma eternidade
As vezes parece que a chuva nao passa
Ou ate que ela é escassa
As vezes, apenas uma gota mata a saudade

Talvez um beijo salvasse o amor
Talvez um sorriso fosse um acorde
E uma risada fosse uma musica
Da qual nao se cantasse nem o melhor cantor

Quem sabe duas palavras bastassem
Para mudar toda uma vida
Quem sabe migalhas de pao marcassem 
A trilha já percorrida

Quem sabe se o mundo nao fosse o mundo
 Nos Seriamos quem dizemos ser
Quem sabe se o universo nao fosse tao profundo
Viveriamos a verdade, ao inves da mentira que dizemos viver


Rodrigo Aylmer

domingo, 2 de janeiro de 2011

Idéias opostas

Não quero mais viver
E eu nunca poderei dizer
Minha vida tem valor
Todo dia reflito, e sei
Que ninguém nunca me amou
Mentirei no dia em que disser
Vivo com uma razão
Não me falta a certeza de que
Não alcancei meus sonhos
A unica frase que nunca direi é
Minha vida valeu a pena
Sei que no final poderei afirmar
Que vivi inutilmente
A maior mentira que eu poderia dizer é
Combati o bom combate




...Agora, leia de baixo para cima, do último verso ao primeiro.
São dois textos diferentes. São duas perspectivas diferentes. São idéias opostas.
Idéia: qual é a sua?



Rodrigo Aylmer