O desabrochar da Rosa cidade
É sempre lento.
Tarda a provar,
De verdade,
O seu suor, o seu caule nú,
O que tens para dar
Quando a cidade apaga
As luzes tão escuras
Que finges tu não ver
Que o seu ar é vício
Já se sabe;
Mas cada pétala é um riso infinito
Cada sereno que cai sobre ti
É esmola
E a busca infindável pelo feliz
Faz queimar de fora desta flor
(Que tanto tarda a amadurecer)
Um incenso que ilude.
E faz pensar,
Saber, sim, saber,
Que o dia vindouro,
Para mim,
Sempre será o dia de seu desabrochar
Rodrigo Aylmer
quinta-feira, 16 de maio de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Os dias contados
Eu não sei mais reconhecer
Nenhum palpite do tempo
Sobre as colorações dos meus olhos
Quando veem quem me agrada
E se você quiser posso fingir soletrar
Os verbos que te rodeiam
Mas as letras se embolam no ar
E eu me vejo com os dias contados
Não consigo olhar pro lado
Sem ter medo de acreditar.
Eu não tenho sorte,
Só um pouco de aflição
Em errar,
Em mentir pra quem amo.
Embora todos os dias contados,
Um que foge a lei:
O dia em que viverei!
Rodrigo Aylmer
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
2002 razões
Diante da eternidade do que hoje é finito, cabem-nos os risos de três períodos vividos, grifados em vinte e duas faces de berços diferentes, no entanto filhos de um mesmo cômodo, com um quadro, e mesas monotonamente verde-saudade. Trazem um peso quase invisível, que newtons não poderiam medir nenhum atrito resultante, ou qualquer força contrária aos bons dias utilmente inúteis encaixados no lado esquerdo do peito de vinte e dois suspiros chorados, em lágrimas ou não.
Se vovô viu a uva, diz a rainha do português, sejam todos os dias como sábado e domingo, e dia de campanha política pró-fessor, que estuda a terra em geometamorfoses, entretanto, com cui-da-do, porque a história quem molda somos nós. Hoje, que o tempo é passado, todos os dias ficam como manhãs de formação, e todos os estojos em ar-condicionados, e todos os esporros em papéis assinados por pais que, sem perceber, geraram membros de uma sala, com dois mil e duas razões para ter o título de "mais babaca", porém de mais feliz.
Não é saudade, é lembrança. Saudade só é saudade quando não se é mais criança.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Seis anos
Me pergunte de mim. Não tenho muitas palavras. Não. Mas sei lá. Não sei explicar. Acabaram os versos que eu guardei para recitar de noite. Não eram tão bons assim. Me senti mal depois de tudo o que aconteceu. Estou com marcas que você deixou. Não consigo dormir hoje. Mordeu-me bem no ponto dor, e chorei, até sair o nó da garganta. Você me feriu. Ou foi ao contrário?
Não. Eu só me importo contigo. Foi só saudade de um futuro de seis anos. Daqui até lá? Tempo vívido. Vivido. Mais curativo, preciso agora estancar essa saudade. Apressar nunca é bom. Na nuca então, descasca mais uma cebola para fingir que é falso. Só eu sei o que é. Bonito é achar lindo essa hora pontiaguda. Não vale fingir. O vento bate, e dá arrepio. Mas foi o vento, ou apenas saudade daquele dia, seis anos para frente? O tempo estanca. Mas parece que o tempo estaca. Deve ser isso.
Bem no peito da nuca, e arrepia de novo. Incinera essa saudade. Está longe. Demais. De mim. Pinta com cal por cima, para ver se disfarça. Alto relevo não dá. Passa outra camada. Até sumir. Bem no ponto dor. Facada. Bom é que o branco é quase ilusão de ótica. Mas a sombra é intocável. Marcou para sempre. Ou melhor, marcará para sempre. O ar é mais leve sem esse chumbo todo. Leva de mim esse cálice. É muito pesado. Sempre quis me livrar do passado. Mas amarrotou minha história, e o que me resta é nada além de migalhas comidas de um futuro distante de seis anos, que eu peguei de gula, mas me arrependo de ter botado a mão tão longe. Nunca vou esquecer do dia em que sonhei com o futuro. É visão? Não. Reflexo instintivo. Nada além disso.
Mas podia ser rebobinado. Está tarde demais para voltar atrás. Seis anos para frente eu posso pensar assim. Mas hoje, hoje é um momento irrepreensível, ficou para a galeria das memórias. Quanto a você, pinte de cal, se quiser. Mas é quase impossível que queira. Lembro do seu sorriso quando fecho as pálpebras. Aquele de hoje, e o de seis anos para a frente. São os mesmos. Muda o tempo e o espaço, mas a constante S é eterna, junto com a beleza que carrega dos ombros para cima, e para baixo. A beleza está nos olhos de quem vê. E no coração de quem ama. Essa frescura antirruga me dói a alma. Quero ficar velho com alguém ao meu lado. Chorar sua morte e ser chorado também. Ser eternizado num momento de seis anos para frente. E mais doze, dezoito, vinte e quatro, trinta, e eterno.
Me pergunte novamente de mim. Não sei. Tenho muitas coisas a dizer. Falo por mim mesmo. O tempo fez-me bem. E ele só faz bem. Para os sábios, as rugas trazem felicidade, e não arrependimento. Netos com sobrenome renomado no livro do recorde que é único. Um só lugar, uma só nação, uma só noção.
Não. Eu só me importo contigo. Foi só saudade de um futuro de seis anos. Daqui até lá? Tempo vívido. Vivido. Mais curativo, preciso agora estancar essa saudade. Apressar nunca é bom. Na nuca então, descasca mais uma cebola para fingir que é falso. Só eu sei o que é. Bonito é achar lindo essa hora pontiaguda. Não vale fingir. O vento bate, e dá arrepio. Mas foi o vento, ou apenas saudade daquele dia, seis anos para frente? O tempo estanca. Mas parece que o tempo estaca. Deve ser isso.
Bem no peito da nuca, e arrepia de novo. Incinera essa saudade. Está longe. Demais. De mim. Pinta com cal por cima, para ver se disfarça. Alto relevo não dá. Passa outra camada. Até sumir. Bem no ponto dor. Facada. Bom é que o branco é quase ilusão de ótica. Mas a sombra é intocável. Marcou para sempre. Ou melhor, marcará para sempre. O ar é mais leve sem esse chumbo todo. Leva de mim esse cálice. É muito pesado. Sempre quis me livrar do passado. Mas amarrotou minha história, e o que me resta é nada além de migalhas comidas de um futuro distante de seis anos, que eu peguei de gula, mas me arrependo de ter botado a mão tão longe. Nunca vou esquecer do dia em que sonhei com o futuro. É visão? Não. Reflexo instintivo. Nada além disso.
Mas podia ser rebobinado. Está tarde demais para voltar atrás. Seis anos para frente eu posso pensar assim. Mas hoje, hoje é um momento irrepreensível, ficou para a galeria das memórias. Quanto a você, pinte de cal, se quiser. Mas é quase impossível que queira. Lembro do seu sorriso quando fecho as pálpebras. Aquele de hoje, e o de seis anos para a frente. São os mesmos. Muda o tempo e o espaço, mas a constante S é eterna, junto com a beleza que carrega dos ombros para cima, e para baixo. A beleza está nos olhos de quem vê. E no coração de quem ama. Essa frescura antirruga me dói a alma. Quero ficar velho com alguém ao meu lado. Chorar sua morte e ser chorado também. Ser eternizado num momento de seis anos para frente. E mais doze, dezoito, vinte e quatro, trinta, e eterno.
Me pergunte novamente de mim. Não sei. Tenho muitas coisas a dizer. Falo por mim mesmo. O tempo fez-me bem. E ele só faz bem. Para os sábios, as rugas trazem felicidade, e não arrependimento. Netos com sobrenome renomado no livro do recorde que é único. Um só lugar, uma só nação, uma só noção.
A rosa dos ventos
Um sorriso discreto no canto da boca
Uma verdade que é para ser eterna
''você está linda porque é linda''
exclamam os dentes brancos e pálidos.
nunca pensei que iria tão longe,
mas as gotas caem,
e a água não apaga,
não tem como apagar!
O Fim é certo, mas para nós,
é terra distante.
Superando os medos de cada dia
e as vontades escuras e musculosas
vamos indo, em frente,
que é o nosso lugar,
Do lado do certo
da verdade
Definitivamente
definida.
E a definição
é retorcida
será?
será.
Se não for,
uma gota doce de repreensão virá delicadamente
tocar os olhos amargos de cegueira noturna
e veria mais que os meus olhos encaroçados
O que o Norte aponta
e os pés que andam
na rosa dos ventos
seriam fingidos
Os tempos
das unhas que crescem
da pele que enruga
a manta que cai
Mas isso,
eu duvido.
Uma verdade que é para ser eterna
''você está linda porque é linda''
exclamam os dentes brancos e pálidos.
nunca pensei que iria tão longe,
mas as gotas caem,
e a água não apaga,
não tem como apagar!
O Fim é certo, mas para nós,
é terra distante.
Superando os medos de cada dia
e as vontades escuras e musculosas
vamos indo, em frente,
que é o nosso lugar,
Do lado do certo
da verdade
Definitivamente
definida.
E a definição
é retorcida
será?
será.
Se não for,
uma gota doce de repreensão virá delicadamente
tocar os olhos amargos de cegueira noturna
e veria mais que os meus olhos encaroçados
O que o Norte aponta
e os pés que andam
na rosa dos ventos
seriam fingidos
Os tempos
das unhas que crescem
da pele que enruga
a manta que cai
Mas isso,
eu duvido.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Dez e sete
Cabe no bolso da calça
A chave de casa, a lembrança
de Ontem, da foto que eu tirei
Sim, sem perceber,
Segredo, mas
Não lembrei dela
Sabe, queria mais tempo
de ver-te,
não lembrei das fotos,
rasgaram, preciso de novas
novidades
Ideias de romance
queria duas
Uma para mim,
outra para você,
que está precisando.
Tavez mais uma
Para um terceiro estado
Tranca no bolso, Junto com a chave,
e a foto está rasgada
em sete pedaços iguais
Eu quis guardá-los separados.
a lembrança é assim,
fragmentos,
troços foscos
memórias é passado
E não há festim
que costure o rasgado.
Memórias de mim
um vaso quebrado
dois vasos quebrados
Três
Quatro,
Oito.
Dez
e sete.
A chave de casa, a lembrança
de Ontem, da foto que eu tirei
Sim, sem perceber,
Segredo, mas
Não lembrei dela
Sabe, queria mais tempo
de ver-te,
não lembrei das fotos,
rasgaram, preciso de novas
novidades
Ideias de romance
queria duas
Uma para mim,
outra para você,
que está precisando.
Tavez mais uma
Para um terceiro estado
Tranca no bolso, Junto com a chave,
e a foto está rasgada
em sete pedaços iguais
Eu quis guardá-los separados.
a lembrança é assim,
fragmentos,
troços foscos
memórias é passado
E não há festim
que costure o rasgado.
Memórias de mim
um vaso quebrado
dois vasos quebrados
Três
Quatro,
Oito.
Dez
e sete.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Meu canto
Não tenhas medo,
Se o seu coração titubeia,
Não é erro de cordel,
Nem mal de sangue e veia
Fagulhas doutro bem queimam
Na terra onde um é rei
Criança que esconde a tez,
Não vanguarde o seu poema
Escuta o silêncio do meu choro
Ele te diz, nossa verdade,
É a mesma Dele
Lembra-te
O que ama não desama
O que cria não destrói
Amplia
Pinta
Monta
E exibe com orgulho
A história de borboletas
Que deu o nó nas pontas
Os pingos nos is
Cegou os monstros
Lavou os risos,
E os nossos corações.
Esse é o meu canto
o canto que eu canto,
Em cores nunca pretas.
Nessa água sem lama
Na melodia que se lava em pranto,
O meu canto tem sete letras:
Segredo.
Rodrigo Aylmer
Se o seu coração titubeia,
Não é erro de cordel,
Nem mal de sangue e veia
Fagulhas doutro bem queimam
Na terra onde um é rei
Criança que esconde a tez,
Não vanguarde o seu poema
Escuta o silêncio do meu choro
Ele te diz, nossa verdade,
É a mesma Dele
Lembra-te
O que ama não desama
O que cria não destrói
Amplia
Pinta
Monta
E exibe com orgulho
A história de borboletas
Que deu o nó nas pontas
Os pingos nos is
Cegou os monstros
Lavou os risos,
E os nossos corações.
Esse é o meu canto
o canto que eu canto,
Em cores nunca pretas.
Nessa água sem lama
Na melodia que se lava em pranto,
O meu canto tem sete letras:
Segredo.
Rodrigo Aylmer
Secura
Espessas certezas de mel
Docemente amarguradas
Que nunca sequem as suas fontes
E sejam profundas as suas marcas
Me finco em ganchos de aço puro
Beirando o medo de perder
O fogo da busca da eterna cura
A chance de em vida o meu sangue verter
Dê-me o prazer de olhá-las eternas
No presente e sempre adiante
Ganhe forças com as minhas rugas
Pinte meu cabelo de branco,
Transparente
Que não faltem águas para te regar
E na sede, beba o meu sangue,
Beba o sangue meu
Que a certeza vive sem o homem,
Mas pensar que vivo sem a certeza,
Não eu.
Rodrigo Aylmer
Docemente amarguradas
Que nunca sequem as suas fontes
E sejam profundas as suas marcas
Me finco em ganchos de aço puro
Beirando o medo de perder
O fogo da busca da eterna cura
A chance de em vida o meu sangue verter
Dê-me o prazer de olhá-las eternas
No presente e sempre adiante
Ganhe forças com as minhas rugas
Pinte meu cabelo de branco,
Transparente
Que não faltem águas para te regar
E na sede, beba o meu sangue,
Beba o sangue meu
Que a certeza vive sem o homem,
Mas pensar que vivo sem a certeza,
Não eu.
Rodrigo Aylmer
Vi
Criei um novo mundo meu
Fugi do sonho,
Perdi meus poemas
E ainda mais, mudei para igual
Pensei que era demais
Mas não,
Inda durmo na mesma fronha
Escuto a mesma música tema
Canto o mesmo musical
Depois que fui,
Eu fui
Tentei largar o que era meu
Gritei mais alto que a minha voz
Tropecei no vento
E ri
Caí na piada que eu mesmo contei
A alegria que cabe em nós
Ela eu vou vivendo
E quando eu ver,
Vi.
Rodrigo Aylmer
Fugi do sonho,
Perdi meus poemas
E ainda mais, mudei para igual
Pensei que era demais
Mas não,
Inda durmo na mesma fronha
Escuto a mesma música tema
Canto o mesmo musical
Depois que fui,
Eu fui
Tentei largar o que era meu
Gritei mais alto que a minha voz
Tropecei no vento
E ri
Caí na piada que eu mesmo contei
A alegria que cabe em nós
Ela eu vou vivendo
E quando eu ver,
Vi.
Rodrigo Aylmer
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
O vaso de vidro
Quando eu olho pro lado tem esse vaso. De vidro. Transparente. Redondo. Fica ali distante, não alcanço com os meus braços. Não tem nada dentro. Não é nada, na verdade, não tem significado nenhum, é um vaso, ora, um vaso comum. Não tem nada de mais. Mas é estranho. Não tem lado nenhum. E está me olhando. Um vaso me olhando. Me encarando. Perguntei pro meu irmão se parecia que o vaso estava me encarando, mas ele disse que não. Ainda assim, acho que o vaso está me encarando.
Virei pro lado duas vezes, desvirei, e ele continua me olhando. Por que o vaso está me encarando? Não tem vida, nem cheiro, nem cor tem, é um pedaço de nada, areia derretida e fundida num formato cilíndrico. Poderia até servir pra um propósito, se estivesse com uma flor dentro, um peixe, ou alguma bala. Mas não tem nada. Me pergunto agora porque a empregada colocou ele ali, seco e sem vida, nesse criado-mudo branco sem nada. Só o maldito vaso de vidro que insiste em me encarar.
Eu já perdi a paciência, e se o vaso tivesse paciência, também já a teria como perdida. Eu não vejo propósito algum nesse vaso. Não tem motivo de existir. Seria melhor quebrá-lo e jogá-lo fora. Será? Eu vou me cortar. Então deixa ele lá. Talvez o Atlas caia da prateleira e faça esse favor pra mim. O que fazer então com o vaso? Não sei o que se faz com alquilo que não tem propósito. Sei que se fosse gente já estaria na rua pedindo esmola. Mas é um vaso. Vidro. Caco. A única grandeza que ele ocupa é o espaço. O maldito vaso que me tirou a paz da noite. Já vi que estou perdendo meu tempo olhando pro vaso. Perdendo nada, ele que está roubando de mim, meu tempo, meu sono, meu descanso, não aguento mais essa tortura. Acho que vou dormir. Deixa esse vaso quieto. Não serve pra nada mesmo. Quem sabe um dia ele tome vergonha, e vá fazer alguma coisa de útil na vida? Afinal, vida é uma, e tempo passado é tempo perdido. Até para um vaso de vidro.
Rodrigo Aylmer
Virei pro lado duas vezes, desvirei, e ele continua me olhando. Por que o vaso está me encarando? Não tem vida, nem cheiro, nem cor tem, é um pedaço de nada, areia derretida e fundida num formato cilíndrico. Poderia até servir pra um propósito, se estivesse com uma flor dentro, um peixe, ou alguma bala. Mas não tem nada. Me pergunto agora porque a empregada colocou ele ali, seco e sem vida, nesse criado-mudo branco sem nada. Só o maldito vaso de vidro que insiste em me encarar.
Eu já perdi a paciência, e se o vaso tivesse paciência, também já a teria como perdida. Eu não vejo propósito algum nesse vaso. Não tem motivo de existir. Seria melhor quebrá-lo e jogá-lo fora. Será? Eu vou me cortar. Então deixa ele lá. Talvez o Atlas caia da prateleira e faça esse favor pra mim. O que fazer então com o vaso? Não sei o que se faz com alquilo que não tem propósito. Sei que se fosse gente já estaria na rua pedindo esmola. Mas é um vaso. Vidro. Caco. A única grandeza que ele ocupa é o espaço. O maldito vaso que me tirou a paz da noite. Já vi que estou perdendo meu tempo olhando pro vaso. Perdendo nada, ele que está roubando de mim, meu tempo, meu sono, meu descanso, não aguento mais essa tortura. Acho que vou dormir. Deixa esse vaso quieto. Não serve pra nada mesmo. Quem sabe um dia ele tome vergonha, e vá fazer alguma coisa de útil na vida? Afinal, vida é uma, e tempo passado é tempo perdido. Até para um vaso de vidro.
Rodrigo Aylmer
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Matéria abstrata
Esperar,
Esperança.
Consolo dos fracos.
Fé
O que é?
De nada vale, pois do nada veio
E se for verdade,
Se é,
Do que é?
Inpalpável
Abstrato
É como a verdade
Cada um tem a sua
Verdade,
Não é mentira.
Acredita, meu filho,
Se apegue a ela
Vocês nunca vão ter nada na vida
Porque no final,
Tudo vira pó,
E do pó, matéria solta.
Tudo acaba em nada
E quando o chega o nada
O nada vira tudo
E vem a esperança,
Que ali mora,
Sempre morou,
Ela vem,
Se prende,
Se funde,
E vira um só,
Pó,
Tudo,
Nada.
Rodrigo Aylmer
Esperança.
Consolo dos fracos.
Fé
O que é?
De nada vale, pois do nada veio
E se for verdade,
Se é,
Do que é?
Inpalpável
Abstrato
É como a verdade
Cada um tem a sua
Verdade,
Não é mentira.
Acredita, meu filho,
Se apegue a ela
Vocês nunca vão ter nada na vida
Porque no final,
Tudo vira pó,
E do pó, matéria solta.
Tudo acaba em nada
E quando o chega o nada
O nada vira tudo
E vem a esperança,
Que ali mora,
Sempre morou,
Ela vem,
Se prende,
Se funde,
E vira um só,
Pó,
Tudo,
Nada.
Rodrigo Aylmer
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O Verbo Conjugado
Vai, pega essa caneta
Começa a escrever seu testamento
Vai, velho,
Como se fosse dar tempo de terminar
Assina no meio,
Deixa o resto que não importa
Lave as suas mãos e parta
Vai embora
Encontra tua felicidade que há muito se foi
E há muito virá de ser
Será?
Ser
Irá, porque esse verbo perdeu o tempo há muito tempo
Há todo tempo, aliás
Não é infinitivo, nem passado, nem futuro
É eterno
Esse é o verbo em que todos se conjugam
Esse é aquele, você, e o outro
Esse somos todos
Eternos,
Reticências do tempo
Ordem divina
De ser,
De estar,
De haver,
Haja o que houver.
Rodrigo Aylmer
Começa a escrever seu testamento
Vai, velho,
Como se fosse dar tempo de terminar
Assina no meio,
Deixa o resto que não importa
Lave as suas mãos e parta
Vai embora
Encontra tua felicidade que há muito se foi
E há muito virá de ser
Será?
Ser
Irá, porque esse verbo perdeu o tempo há muito tempo
Há todo tempo, aliás
Não é infinitivo, nem passado, nem futuro
É eterno
Esse é o verbo em que todos se conjugam
Esse é aquele, você, e o outro
Esse somos todos
Eternos,
Reticências do tempo
Ordem divina
De ser,
De estar,
De haver,
Haja o que houver.
Rodrigo Aylmer
sábado, 6 de outubro de 2012
Vai e volta
Amor, não se vá
Sentirei sua falta
Te ver tornou-se vital
Quando tu vais,
Respiro mais devagar
Os meus pulmões se fundem
Drena-se o calor do meu corpo
E nascem escamas em minha pele
Eu viro um reptil,
Sangue frio,
Uma especie de ser inanimado
Que se esquiva de tudo
Que segue o seu caminho
Esperando algum dia o sol luzir
E aquecer meu corpo
Que aliás, meu bem,
Encolhe
Ainda que vás, amor,
E sei que deves,
E queres,
Lembra-te de mim,
Que eu estou esperando,
De peito estufado
Mas de braços abertos.
Quero que vás,
Mas que voltes.
Rodrigo Aylmer
Sentirei sua falta
Te ver tornou-se vital
Quando tu vais,
Respiro mais devagar
Os meus pulmões se fundem
Drena-se o calor do meu corpo
E nascem escamas em minha pele
Eu viro um reptil,
Sangue frio,
Uma especie de ser inanimado
Que se esquiva de tudo
Que segue o seu caminho
Esperando algum dia o sol luzir
E aquecer meu corpo
Que aliás, meu bem,
Encolhe
Ainda que vás, amor,
E sei que deves,
E queres,
Lembra-te de mim,
Que eu estou esperando,
De peito estufado
Mas de braços abertos.
Quero que vás,
Mas que voltes.
Rodrigo Aylmer
domingo, 30 de setembro de 2012
O Poema ou a Carta?
Nesses dias me entrentive
E mergulhei numa dúvida cruel:
Devo escrever-te um poema,
Ou uma carta?
Moça, digo que hesitei,
Pensei sete vezes
Pensei mil
Fiz rascunhos e rascunhos
Até minha caneta se encheu de mim
Meus dedos, calejados de tanto escrever
Clamam por misericórdia
E os meus olhos inchados de sono
Se fecham junto com as minhas forças
Moça, me perguntei mil vezes:
Escrevo-te um poema,
Ou uma carta?
Foquei na dúvida
Gastei horas, digo, dias no ócio
Sem saber a resposta
E ninguém soube me dizer
Ninguém nunca saberá
Se devo escrever um poema,
Ou uma carta
Moça, não me julgues insano
É uma questão complicada de desvendar
Pois o poema é a alma que fala
E a carta, os dedos, a forma
Mas ainda não sei, moça, o que te entrego:
A carta, que virá,
Ou o poema, que agora terminei?
Rodrigo Aylmer
E mergulhei numa dúvida cruel:
Devo escrever-te um poema,
Ou uma carta?
Moça, digo que hesitei,
Pensei sete vezes
Pensei mil
Fiz rascunhos e rascunhos
Até minha caneta se encheu de mim
Meus dedos, calejados de tanto escrever
Clamam por misericórdia
E os meus olhos inchados de sono
Se fecham junto com as minhas forças
Moça, me perguntei mil vezes:
Escrevo-te um poema,
Ou uma carta?
Foquei na dúvida
Gastei horas, digo, dias no ócio
Sem saber a resposta
E ninguém soube me dizer
Ninguém nunca saberá
Se devo escrever um poema,
Ou uma carta
Moça, não me julgues insano
É uma questão complicada de desvendar
Pois o poema é a alma que fala
E a carta, os dedos, a forma
Mas ainda não sei, moça, o que te entrego:
A carta, que virá,
Ou o poema, que agora terminei?
Rodrigo Aylmer
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Guri
Sai de casa guri!
Quem te quer?
Quem se importa?
Você não é nada
É um peso
Um desgosto
Um quilo a mais de dor
Se você virar moleque de rua,
Dane-se
Não me importo
O seu choro não passa de um burburinho
É vago
Depois do que você fez
E eu não falo do dia do seu parto
Eu falo do dia em que você mudou
Me agrediu
Você é um calo para mim
Sai daqui, guri,
Você não é nada,
Uma sósia de mim
E nós bem sabemos
Que essa mente é pequena demais
Para nós dois
Rodrigo Aylmer
Quem te quer?
Quem se importa?
Você não é nada
É um peso
Um desgosto
Um quilo a mais de dor
Se você virar moleque de rua,
Dane-se
Não me importo
O seu choro não passa de um burburinho
É vago
Depois do que você fez
E eu não falo do dia do seu parto
Eu falo do dia em que você mudou
Me agrediu
Você é um calo para mim
Sai daqui, guri,
Você não é nada,
Uma sósia de mim
E nós bem sabemos
Que essa mente é pequena demais
Para nós dois
Rodrigo Aylmer
Lembrança
Eu vivo porque já morri
E a minha morte gerou minha vida
O ontem, já morreu
É memória
Foi memória
Foi lembrada
Só que já esqueci
Já esqueci que fui criança
Já esqueci que fui belo
Esqueci que sou jovem
Não sou mais quem eu era
Tudo muda,
Tudo vira,
Deixei de lado o pseudo que fui
Não sou mais eu
Abri mão do meu passado
Para me iludir num presente
Ora, se o passado é morte
E o presente, uma vírgula,
O que se vive, é morte?
Não sei.
Não me importa
Tá bom assim,
Tenho minha casa,
Minha cama,
Meu lençol,
Meu amor.
É tudo ilusão,
Mas é meu.
Afinal,
Não é isso do que se trata?
Rodrigo Aylmer
E a minha morte gerou minha vida
O ontem, já morreu
É memória
Foi memória
Foi lembrada
Só que já esqueci
Já esqueci que fui criança
Já esqueci que fui belo
Esqueci que sou jovem
Não sou mais quem eu era
Tudo muda,
Tudo vira,
Deixei de lado o pseudo que fui
Não sou mais eu
Abri mão do meu passado
Para me iludir num presente
Ora, se o passado é morte
E o presente, uma vírgula,
O que se vive, é morte?
Não sei.
Não me importa
Tá bom assim,
Tenho minha casa,
Minha cama,
Meu lençol,
Meu amor.
É tudo ilusão,
Mas é meu.
Afinal,
Não é isso do que se trata?
Rodrigo Aylmer
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Amanhã é nunca
Chega de ficar fingindo
Vamos seguir em frente
Vamos viver o que é pra viver
Vamos curtir
Vamos ser o que somos
Iremos sair pelas ruas
Fazer passeatas
Greves, revoltas, mudanças
Vamos mudar a sociedade
Aprender outras línguas,
Ir para Paris, Londres,
Saltar de paraquedas
Vamos fazer o maior bolo do mundo
Criar formas, dialetos
Novos nomes, novas teorias
Vamos ir para Marte
Ser astronautas
Vamos ganhar prêmios
Escrever livros
Criar peças.
Vamos viver logo,
Porque hoje não é ontem ainda
E o amanhã é apenas uma hipótese.
Rodrigo Aylmer
Vamos seguir em frente
Vamos viver o que é pra viver
Vamos curtir
Vamos ser o que somos
Iremos sair pelas ruas
Fazer passeatas
Greves, revoltas, mudanças
Vamos mudar a sociedade
Aprender outras línguas,
Ir para Paris, Londres,
Saltar de paraquedas
Vamos fazer o maior bolo do mundo
Criar formas, dialetos
Novos nomes, novas teorias
Vamos ir para Marte
Ser astronautas
Vamos ganhar prêmios
Escrever livros
Criar peças.
Vamos viver logo,
Porque hoje não é ontem ainda
E o amanhã é apenas uma hipótese.
Rodrigo Aylmer
Sabia
Ó pai,
Como posso ter paz
Aonde não a vejo?
Não tenho paz,
Por pensar.
Feliz é o parvo
Que não sabe o que ganha o sendo
Não tenho paz porque penso
E existo
Penso demais
Passa do limite
Passa do teto
Passa de mim.
Ó pai,
Como posso ter paz se penso?
Me torno chato e insistente
Não aceito o que vem de fora.
Não cabe no meu bolso
Não aceito o que não sei
Mesmo que belo
Mesmo que lindo
É novo
E em plena idade
Me torno rabugento
E cinza
Como um velho sem futuro
Ó pai,
Como posso ter paz
Se penso?
Rodrigo Aylmer
Como posso ter paz
Aonde não a vejo?
Não tenho paz,
Por pensar.
Feliz é o parvo
Que não sabe o que ganha o sendo
Não tenho paz porque penso
E existo
Penso demais
Passa do limite
Passa do teto
Passa de mim.
Ó pai,
Como posso ter paz se penso?
Me torno chato e insistente
Não aceito o que vem de fora.
Não cabe no meu bolso
Não aceito o que não sei
Mesmo que belo
Mesmo que lindo
É novo
E em plena idade
Me torno rabugento
E cinza
Como um velho sem futuro
Ó pai,
Como posso ter paz
Se penso?
Rodrigo Aylmer
Amor
O amor é um mar de rosas
E rosas tem espinhos
Mais espinhos do que pétalas.
Mas se ninguém gostasse,
Não haveria
E seria um talo seco
Que se vê todo dia
Rodrigo Aylmer
E rosas tem espinhos
Mais espinhos do que pétalas.
Mas se ninguém gostasse,
Não haveria
E seria um talo seco
Que se vê todo dia
Rodrigo Aylmer
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